Parte do coletivo Soylocoporti
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Primeiro tu vai pelo cheiro, se gosta do gosto.
Depois é a pele que se vale,
aí vem o toque, que fere e não mata (e tu não afia tua faca),
depois é o gosto
que tu nem sabe qual é
e gosta, e já nem sabe do quê.
e gosta tanto
que já nem sei o que é.
Meu celular toca seu toque jacu – olha o gás, me grita o guri, os amigos riem na porta da cafeteria. Me atrapalho com o touchscreen e atendo minha ex mulher, irritado – não posso, tenho reunião as seis, “o guri é teu filho também”, ela grita. Não bastasse a grana que me leva. Alô, Freitas? Tu vai ter que ir sem mim, tenho que buscar o meu guri, como tu não vai também? Porra, Freitas. O jornal não diz nada Itacurubí, alagou a capital, uns gringos se foderam no Rio, brasileira estuprada na Suíça. Trinta e cinco graus aqui e nada no jornal. Olha o gás, grita o guri de novo, Alô? “não da pra desmarcar, os gringo vão embora amanhã, tu vai ter que ir”, porra Freitas. Alô? não vou poder buscar o guri, porque não vai tu? claro que é da minha conta. Não bastasse a grana. Alô, Freitas, e aí? as oito? Às oito dá. Tu vai também? Beleza. Os guris se riem, olha o gás, me gritam. Alô? Falei com o Freitas…que? tu vai buscar? Ta bom. Terremoto no Japão, geada no Pará, água no Rio, a manhã se acalma, eu tomo agora meu café a curtos goles, os guris se riem na porta, rio junto ao perceber que não tinha atentado ainda haver guris em Itacurubí, mas estou certo que nunca houvera caminhões de gás.
Eu que achei que fosse
tão perfeito assim,
sozinho,
agora cato meus defeitos
pra ter onde doer
essa saudade.
Você é bom, sou eu que[...],
você disse.
Que há de se fazer?
Vão-se as mãos…
“como bem e não durmo mal”
Me tive com outra,
tu soube, até entendo que te doa,
o orgulho é o tendão da dignidade.
Mas tu me destes o soco
e feriu o pulso,
it’s not my fault, do not blame me.
The pride is the dignity’s foible.
You’ve punched me,
and hurted your fist.
Não me culpe.
you had no right for punching me again, I can deal with one, but two? I’d not even defended myself.
The pride is your foible.
Você parece gostar de mim,
perigosa e inconvenientemente
como um câncer na próstata.
Esse vai e vem
traz sempre sintomas distintos,
talvez se eu organizasse esses efeitos em livros numa estante,
poderia descobrir alguma coisa
no clichê quebra-cabeça das lombadas,
talvez diria “como você é ingênuo!”,
mas é provável dissesse “socorro”.
A tremulência embate-se com vaidade ao presilhar brilhosamente a faixa de posse com presteza no ombro esquerdo. A delicadeza ainda vence por até menos que um triz, talvez perca na próxima sexta. Vai-se a suavidez, alia-se o tremor, que tremerá até perder-se na morte.
Preparava a já amarelada faixa, inscrita em si Rainha do Baile da Terceira Idade, denunciando a pouca rescência da velhice. De seu íntimo camarim: cozinha do salão paroquial, se ouve apenas a música abafada, mas ainda alta. Já não valsa, pois não se valsa a esmo, só, não se é mais tão rainha agora já sem rei. Há pequenos, não meios reinos.
Eu tinha um amigo
que talvez por engano
pensava que era um compositor baiano
que vivia no Leblon,
Tocava de perna cruzada,
Atraia a passarada
e não admitia palhetada no seu violão nailôn.
Com ele até que fiz um som,
não digo que não era bom,
era uma chuva de bourbon prum ouvido refinado,
Mas eis que anda distante
com um sorriso minguante,
pois dizem que anda galante
por um joelho torneado,
Não sei mais por onde andou,
nossa amizade findou
e há quem diga que acabou
com a alma sequestrada,
Mas se passar pela Bahia,
com aquele ar de fim do dia,
ou em noite enluarada,
pode encontrar o bandido
no colo da mulher amada.
Diego Willian
If what you and I both feel
explodes inside us in a scream,
I ask:
why do you insist on hiding
the most beautiful thing we have?
(com a ajuda de Dave Walston na tradução
http://davewalstonillustration.com/ )
Do doente és a doença,
a necrose do enfartado,
do fumante és o catarro,
és vilã das seis às oito,
o pau transexuado,
espermatozóide indesejado,
és volante embriagado,
és tumor na próstata,
no osso,
que dói e mata,
do capim tu és a vaca,
e da vaca és o homem.
Eu gosto de você,
mas, ai, ai..
é tão mais fácil assim,
conviver só com a saudade.
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